pequenitudes - crônicas das pequenas atitudes humanas
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domingo, 27 de dezembro de 2009

Homenagem

Há cerca de dois mil anos, no dia 25 de dezembro de não sei que ano exatamente, nasceu um homem a quem chamaram Yeshua, ou Jesus, em nosso bom português de hoje. Esse homem, quando adulto, ensinou aos seus conterrâneos uma boa dose de coisas legais, e disse também umas boas verdades a um punhado de gente que gostava de fazer tudo errado. Por essas e outras coisas, acabou morto e espetado numa grande cruz, juntamente com outros bons homens, em meio a muito sofrimento.

E hoje, para homenageá-lo, enchemos um pinheiro de plástico com bolas coloridas e luzes piscantes e a colocamos na sala de estar, enquanto torramos todo o dinheiro que temos no bolso com presentes para quem menos precisa, e cultuamos um velho gordo de roupa vermelha que supostamente é o único ser humano a habitar as gélidas planícies do pólo norte.

sábado, 19 de dezembro de 2009

As hennas indianas e as escandinavas

Querido Papei Noel:

Gostaria de ganhar de presente duas renas indianas.
Uma vermelha e uma preta. Tenho 14 anos, vou fazer uma viagem e quero mudar o visual, mas minha mãe não permite que eu use química.
Maria.

Querida filha:

Apesar de não entender como duas renas possam mudar o seu visual, deixo aqui o presente solicitado.
Lamento não mandar as renas indianas e espero que sirvam as Escandinavas. A preta por aqui é bastante predada por lobos e homens e não consegui encontrá-la. Assim, substitui uma do meu trenó para atender o seu pedido.
Quanto à vermelha, foi mais difícil, pois elas não existem nesse tom. Foi aí que usei o truque do pozinho natural, a he... he.. um nomezinho bem familiar que agora não lembro...
Só alerto que desbota com o tempo.
Papai Noel.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Descobri tempos depois, que havia o quinto Rei Mago...

Escondido por trás das palhas da manjedoura estava o derradeiro convidado, disse:

“não posso desfazer o feitiço, o rei mago é muito poderoso. Posso apenas amenizar o sofrimento. Sendo assim meu pequeno rei, após a sua morte, todo este povo cairá num sono profundo, geração após geração, até que, uníssonos, digam: eu te amo”.

(Sussurrando no ouvido daquela criança o derradeiro convidado completou:

“não a ti, ao próximo”.)
esta pequenitude é uma continuação de o quarto rei mago, que você pode ler aqui.